4 de jun. de 2025

Baianize deixa saudade e um gostinho de quero mais após três dias de celebração cultural

Por Iasmim Santos 

Durante os dias 14, 15 e 16 de maio, o Centro Universitário Anísio Teixeira (UNIFAT) se transformou em um grande palco de celebração a cultura baiana. Realizado de forma gratuita, o Baianize 2025 promoveu uma verdadeira imersão nos aspectos socioculturais da Bahia, reunindo mais de 17 profissionais das áreas de moda, gastronomia, estética, e comunicação, em uma experiência única.

Criado com o propósito de valorizar e homenagear as tradições locais, o evento alcançou o público de forma viva e afetiva. Ao longo dos três dias, a programação trouxe workshops, exposições, apresentações artísticas, desfiles, palestras e momentos de partilha, que evidenciaram a diversidade e a riqueza da cultura baiana.

Segundo Emanuel, coordenador dos cursos de Comunicação, o Baianize foi uma experiência ímpar e emocionante. "A gente já vinha planejando esse evento há quase um ano. No semestre passado, nos reunimos com os outros coordenadores, conversamos e todos se engajaram na ideia. E eu vi, ao longo desse processo, a entrega dos alunos. Quando chamamos para a comissão, eles pensaram em tudo: organizaram, conseguiram patrocínio e cuidaram dos mínimos detalhes. Isso me deixou muito feliz."

Ele destaca que o evento superou todas as expectativas: “Foi um trabalho elaborado em sala de aula e, quando me foi apresentado, eu disse: isso precisa se tornar um evento real. A proposta era começar menor este ano, para que, nas próximas edições, o Baianize ganhasse mais corpo. Mas, já começamos grande. Pensávamos em receber cerca de 500 pessoas, e conseguimos quase mil inscritos ao longo dos três dias."

Animado com a repercussão, o coordenador já confirmou a continuidade do projeto: “O Baianize agora está carimbado no nosso calendário institucional. Vai acontecer todo ano, sempre no primeiro semestre. E para 2026, já estamos traçando novas metas, queremos ampliar o público, o tamanho do evento e incluir ações sociais, como a arrecadação de alimentos para ONGs, como forma de ingresso.”

Foi algo que marcou profundamente, tanto os organizadores quanto os convidados. Por trás de cada detalhe, havia muita gente apaixonada e criativa, que se dedicou intensamente para tornar o evento possível. O resultado final foi lindo, e profundamente marcante na memória afetiva de cada pessoa que participou. Mais do que um evento, o Baianize se firmou como um espaço de encontro, pertencimento e celebração daquilo que nos torna baianos: A arte de sentir com o corpo inteiro.

3 de jun. de 2025

Não só estilo: Conheça o poder e os significados dos cabelos afros

Por Felipe Carneiro 

Mais do que uma questão estética, o cabelo afro é uma forma de expressar a negritude, celebrar a ancestralidade e desafiar padrões eurocêntricos de beleza ainda extremamente marcados na sociedade. Por isso, assumir os fios naturais se torna um ato político e de afirmação cultural. Para milhões de pessoas negras, cabelo afro é um símbolo ancestral vivo, de orgulho e luta contra o racismo que tentou apagar suas raízes. 

Cada cacho, cada trança, cada textura carrega gerações inteiras que se recusam a serem silenciadas. Por muito tempo, o cabelo afro foi alvo de discriminação, associado de forma equivocada à desordem, à falta de cuidado ou até à marginalização. Dentro das escolas, dos espaços de trabalho e até nas mídias, pessoas negras ouviram que seus fios precisavam ser 'domados', 'esticados' ou escondidos para se encaixarem em um ideal de beleza que não foi feito para elas. Mas, resistindo a tudo isso, o cabelo afro se mantém como um símbolo poderoso de identidade, força e resiliência. Cuidar desse cabelo é, também, resgatar práticas ascendentes, fortalecer laços comunitários e manter viva uma cultura que resiste ao apagamento. 

Utilizando a Bahia como recorte, é possível observar ainda mais presente essa cultura- até pelo fato de que o estado é uma das regiões onde encontra-se a maior concentração de pessoas negras no país. Entretanto, devido os altíssimos índices de racismo no Brasil, mobilizações e eventos contra o preconceito e valorização da cultura afro e afro-brasileira tem acontecido com mais intensidade e frequência. A exemplo disso, tem-se o Baianize, evento promovido pela Unifat neste último mês de maio, no qual reuniu diversas palestras, workshops e outros eventos que ressaltavam o tema. 

História das tranças 

As tranças surgem há mais de 3.500 anos, com registros arqueológicos em regiões como o norte da África, especialmente no Egito antigo. Pinturas e esculturas já exibiam diferentes tipos de tranças. Porém, a tradição das tranças se espalha por todo o continente africano, com cada povo desenvolvendo estilos específicos que carregavam significados próprios. Elas também tinham determinadas funções em âmbitos como: Etnia, origem, estado civil, classe social, fase da vida, poder espiritual ou função religiosa, status de guerreiro ou liderança. Além disso, o ato de trançar é coletivo, feito em roda, promovendo conexão, afeto e transmissão oral de saberes. 

Durante o tráfico transatlântico de indivíduos escravizados, as tranças também foram um símbolo de resistência, na qual algumas pessoas trançavam mapas nas cabeças para indicar rotas de fuga. Outras escondiam sementes nas tranças, garantindo meios de cultivo após fugas ou durante o cativeiro. 

Hoje em dia, as tranças são usadas tanto como expressão estética quanto política, reforçando a resistência contra o racismo estrutural e fortalecendo a autoestima de pessoas negras. Além de seguir carregando significados culturais, apesar de também circularem no mercado da moda — algo que gera discussões a respeito da apropriação cultural.

Foto: freepik


Desfile valoriza a estética afro durante o evento Baianize

 Por Vitória Menezes

O evento Baianize, que aconteceu recentemente, foi palco de um desfile emocionante e cheio de representatividade, voltado para a valorização dos cabelos afros e da estética negra.
Foi um espaço de visibilidade, resistência e celebração da negritude. O desfile foi, sem dúvidas, um dos pontos altos da programação, deixando claro que moda, cabelo e identidade caminham juntos quando o assunto é representatividade.

Organizado por Gisele Amorim, estudante de Publicidade da UNIFAT, o desfile mostrou um símbolo forte de resistência e orgulho para a comunidade negra. Além das variedades de penteados, os trajes também seguiram uma estética afro, compondo uma verdadeira celebração da ancestralidade.

Com o objetivo de reforçar o orgulho das raízes africanas, combater padrões estéticos e destacar o empoderamento da população negra por meio da autoaceitação e do autocuidado, os cabelos afros, além de lindos, expressam força, história e pertencimento.



Tranças Afro: Símbolo de beleza, resistência e identidade cultural

Por Joelma Almeida e Beatriz Sousa

As tranças afro são muito mais do que um penteado. Elas carregam história, tradição e representam um importante símbolo de resistência da população negra ao longo dos séculos. Com origens milenares no continente africano, as tranças atravessaram oceanos e continuam a marcar presença nas ruas, nas passarelas e nas redes sociais — sempre reafirmando identidade e orgulho.

As primeiras representações de tranças afro remontam a mais de 3 mil anos, especialmente nas regiões da África Ocidental. Cada estilo de trança podia indicar o grupo étnico, o estado civil, a posição social ou até a idade da pessoa. Historiadora e pesquisadora de cultura afro-brasileira, Ana Beatriz Silva explica que trançar o cabelo era um ritual coletivo "Era, e ainda é, algo feito em comunidade, passado de geração em geração”, explica.

No entanto, a prática de trançar cabelos possui várias faces, durante o período da escravidão, por exemplo, as tranças ganharam um novo significado: resistência. Há relatos de que os padrões das tranças também eram usados como mapas para fugas ou para esconder sementes, garantindo alimento após a fuga, além da batalha de preservação da cultura africana.

Nos tempos atuais, as tranças seguem sendo uma expressão de identidade cultural, além da representação de empoderamento agregada ao estilo de cabelo nos últimos anos. Estilos como box braids, twists, nagô e fulani são cada vez mais populares entre jovens negros e negras, não só no Brasil, mas no mundo todo. Além da estética, esses penteados têm o poder de fortalecer a autoestima e reconectar com a ancestralidade.

Apesar da valorização crescente, ainda existe muito preconceito em relação às tranças afro, principalmente em ambientes corporativos e escolares. Casos de discriminação são frequentes, o que mostra a importância de discutir o racismo estrutural presente na sociedade brasileira.
Ednalva Silva, professora de 40 anos, conta como foi aderir ao estilo de tranças afro: "No início as pessoas agiam de forma a transmitir um certo preconceito, pois o cabelo liso era  o mais aceitável socialmente, e definido como o mais belo, e que tornava as mulheres mais bonitas."
A pedagoga segue destacando que essa ruptura com os padrões de beleza historicamente e culturalmente construídos é um importante processo de luta e resistência do povo negro para afirmar sua história e identidade.

Mais do que estilo, as tranças afro são uma bandeira de afirmação. Celebrar essas raízes é também uma forma de enfrentar o racismo e valorizar a diversidade cultural do Brasil.


Foto: Arquivo pessoal

Entenda a tradição das tranças afro na Bahia

Foto: freepik

Por Gabriel Leite e Beatriz Rosado

As tranças afro são muito mais do que um simples “penteado”.Elas carregam história, cultura, identidade e resistência. 

Presentes há milênios na trajetória dos povos africanos e da diáspora negra, as tranças continuam sendo uma poderosa forma de expressão, mantendo viva a herança ancestral enquanto se reinventam na moda contemporânea.

Na Bahia, as tranças afro são muito mais do que estilo são identidade, herança e resistência. Herdeira direta das culturas africanas trazidas durante o período da escravidão, a Bahia mantém viva uma das manifestações mais ricas da ancestralidade negra: o trançar dos cabelos.

Essas tranças remontam a povos africanos como os iorubás, bantus e jejes. Na África, as tranças tinham (e ainda têm) função social, espiritual e estética. Já na Bahia, elas foram preservadas e adaptadas com criatividade, mesmo diante das violências do racismo e da escravidão.

“Para mim, as tranças simbolizam um pouco da luta dos meus ancestrais e carrega a minha identidade, me sinto livre quando estou com elas”, conta Sara Azevedo, estudante do ensino medio, à produção do Baianize.

Apesar das tranças serem um símbolo de resistência, ainda carregam muitos estigmas no contexto social.  “Eu acredito que hoje em dia, apesar de serem uma tendência na sociedade, as tranças ainda sofrem com os estereótipos. Como exemplo, tem aquelas pessoas que acreditam que tranças são sujas e sinal de falta de higiene”, explana Sara.

Foto: Arquivo pessoal

Além disso, um ponto chama atenção: é comum muitas pessoas aceitarem mais as tranças quando comparadas ao cabelo natural. “Acredito que as pessoas aceitem mais a trança do que o cabelo natural, porque fica mais ‘arrumado’”, prossegue Sara. Essa diferença de visão se dá, muitas vezes, por uma tentativa de suavizar ou “controlar” a estética negra para que ela se encaixe em padrões. Apesar disso, as tranças e os cabelos naturais — sejam eles crespos ou cacheados — vão muito além da estética: eles se consolidam como uma forma de resistência, identidade e beleza.

Hoje, as tranças e os cabelos afro continuam a enfeitar as ruas da Bahia com formas criativas, cores vibrantes e significados profundos.
Seja nas festas de Iemanjá, no cortejo do Ilê Aiyê, nos salões de beleza ou nas ruas.

Baianize deixa saudade e um gostinho de quero mais após três dias de celebração cultural

Por Iasmim Santos  Durante os dias 14, 15 e 16 de maio, o Centro Universitário Anísio Teixeira (UNIFAT) se transformou em um grande palco de...