3 de jun. de 2025

Entenda a tradição das tranças afro na Bahia

Foto: freepik

Por Gabriel Leite e Beatriz Rosado

As tranças afro são muito mais do que um simples “penteado”.Elas carregam história, cultura, identidade e resistência. 

Presentes há milênios na trajetória dos povos africanos e da diáspora negra, as tranças continuam sendo uma poderosa forma de expressão, mantendo viva a herança ancestral enquanto se reinventam na moda contemporânea.

Na Bahia, as tranças afro são muito mais do que estilo são identidade, herança e resistência. Herdeira direta das culturas africanas trazidas durante o período da escravidão, a Bahia mantém viva uma das manifestações mais ricas da ancestralidade negra: o trançar dos cabelos.

Essas tranças remontam a povos africanos como os iorubás, bantus e jejes. Na África, as tranças tinham (e ainda têm) função social, espiritual e estética. Já na Bahia, elas foram preservadas e adaptadas com criatividade, mesmo diante das violências do racismo e da escravidão.

“Para mim, as tranças simbolizam um pouco da luta dos meus ancestrais e carrega a minha identidade, me sinto livre quando estou com elas”, conta Sara Azevedo, estudante do ensino medio, à produção do Baianize.

Apesar das tranças serem um símbolo de resistência, ainda carregam muitos estigmas no contexto social.  “Eu acredito que hoje em dia, apesar de serem uma tendência na sociedade, as tranças ainda sofrem com os estereótipos. Como exemplo, tem aquelas pessoas que acreditam que tranças são sujas e sinal de falta de higiene”, explana Sara.

Foto: Arquivo pessoal

Além disso, um ponto chama atenção: é comum muitas pessoas aceitarem mais as tranças quando comparadas ao cabelo natural. “Acredito que as pessoas aceitem mais a trança do que o cabelo natural, porque fica mais ‘arrumado’”, prossegue Sara. Essa diferença de visão se dá, muitas vezes, por uma tentativa de suavizar ou “controlar” a estética negra para que ela se encaixe em padrões. Apesar disso, as tranças e os cabelos naturais — sejam eles crespos ou cacheados — vão muito além da estética: eles se consolidam como uma forma de resistência, identidade e beleza.

Hoje, as tranças e os cabelos afro continuam a enfeitar as ruas da Bahia com formas criativas, cores vibrantes e significados profundos.
Seja nas festas de Iemanjá, no cortejo do Ilê Aiyê, nos salões de beleza ou nas ruas.

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