17 de mai. de 2025

Workshop no Baianize destaca tranças como símbolo de força e identidade

Por Iasmim Santos e Giovanna Beatriz 

Na noite de quarta-feira (15), o evento Baianize abriu espaço para um diálogo potente sobre estética, ancestralidade e empoderamento no workshop “Valorização de cabelos naturais como símbolo de força e empoderamento: penteados com tranças”, conduzido por Gisele Amorim e Letícia Vitória.

As convidadas compartilharam suas trajetórias pessoais e profissionais, destacando como a cultura das tranças atravessa gerações. Gisele revelou que só descobriu recentemente que a arte de trançar fazia parte da história de sua família por meio de sua avó, uma conexão ancestral que fortaleceu ainda mais seu propósito. Segundo ela, as tranças foram uma verdadeira virada de chave em sua vida:

“Durante toda a minha vida, eu sofri bullying com base na minha aparência, era de tudo que você imaginasse. As tranças, pra mim, foram um meio de refúgio. Um jeito de me descobrir como negra, de me empoderar e de conhecer o meu cabelo, porque eu não me aceitava. Hoje, eu vejo que a palavra que melhor define as tranças é autoestima.” Afirmou Gisele.

O momento também abordou temas como a apropriação cultural e o significado histórico das tranças para os povos negros, trazendo um relato sensível e informativo sobre suas origens, funções sociais e simbologias ao longo do tempo. As participantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer diferentes tipos de tranças, seus nomes, e significados.

Letícia, por sua vez, destacou o preconceito ainda presente na sociedade em relação aos cabelos trançados. Ela relatou que muitas de suas clientes, apesar de cuidarem da estética com outros procedimentos, evitam fazer tranças por receio da rejeição social:

“Infelizmente, essa realidade é triste. Existe rejeição no trabalho, em qualquer ambiente da vida. Até pessoas que já têm uma autoestima definida passam por esse processo. É um preconceito que ainda precisa ser trabalhado.”

Além disso, Letícia falou sobre a dificuldade de ter o trabalho com tranças reconhecido como uma profissão legítima:

“Há alguns anos, trançar cabelos não era visto como trabalho. Por isso, muitas pessoas ainda têm medo de se posicionar como profissionais. Acham que trançar é apenas hobby. Trançar pode até ser hobby, mas quando você tem conhecimento, pode ensinar, praticar e ter uma renda fixa, ela se torna, sim, o seu trabalho.”

Além da parte teórica, Gisele e Letícia deram dicas valiosas de cuidados com os cabelos naturais e falaram sobre a importância dos materiais utilizados na realização das tranças, valorizando produtos que respeitam a saúde capilar.

Para encerrar, duas convidadas foram chamadas ao palco como modelos, enquanto as ministrantes demonstravam na prática como trançar, passo a passo, proporcionando uma vivência rica e interativa para o público presente.

O workshop reafirmou o compromisso do Baianize em celebrar e promover a cultura negra, destacando a beleza e a resistência que se entrelaçam em cada trança.

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